segunda-feira, 2 de março de 2026

Zumbie Brother - Capítulo 07

Capítulo 7 – A Tragédia da Casa Vizinha

Bai Xiaofei deu um passo para fora.

O corredor estava vazio. As portas de ambos os lados permaneciam fechadas, e nenhum som estranho se fazia ouvir mais precisamente, além da respiração levemente ofegante de Bai Xiaofei por causa da tensão, o prédio inteiro estava mergulhado em absoluto silêncio.

À sua direita ficava a porta do apartamento da vizinha.

A porta estava entreaberta. No chão, havia manchas de sangue rastros que indicavam que algo fora arrastado pelo piso.

Bai Xiaofei tirou do bolso uma bola de tênis. Mordeu de leve a ponta da língua, ainda ferida desde a noite anterior, quando lutara contra a mulher transformada em “irmã cadáver”. O sangue voltou a brotar. Ele cuspiu na bola, misturando saliva e espuma avermelhada e, com um leve movimento da mão, lançou-a silenciosamente para dentro da porta semiaberta.

Nada.

Se houvesse uma “irmã cadáver” lá dentro, o cheiro de sangue na bola certamente a atrairia. A ausência de qualquer reação significava que o apartamento estava vazio.

Com a faca firme diante do peito, Bai Xiaofei entrou num rápido movimento.

Logo ao cruzar a porta, viu o corpo.

Um cadáver masculino.

O homem estava algemado à estrutura metálica da cama, com os pulsos e tornozelos presos por algemas acolchoadas de pele. Ao lado, espalhados de forma desordenada, havia chicotes, velas, brinquedos íntimos e grampos metálicos.

Apesar da tensão, Bai Xiaofei não conseguiu evitar um leve tremer nos lábios.

— Droga… estavam mesmo brincando com isso?

Não era de se admirar que a vizinha, após se transformar em “irmã cadáver”, tivesse matado o namorado com tanta facilidade. O sujeito estava entregue à dor e ao prazer, à beira do êxtase, quando a namorada mutante o atingiu fatalmente. Com mãos e pés presos, não tivera sequer chance de reagir.

“Cara… espero que, na próxima vida, você reveja seus gostos.”

Bai Xiaofei examinou o cadáver. A parte inferior do corpo havia sido brutalmente decepada pela raiz provavelmente a origem do grito que ele ouvira na madrugada anterior. O peito estava aberto num buraco grotesco; costelas quebradas. O coração, o fígado, o estômago todos os órgãos internos haviam desaparecido, certamente devorados pela mulher já transformada.

Os lençóis estavam encharcados de sangue. No piso de cerâmica, o vermelho ainda não completamente coagulado sujava a sola dos sapatos de Bai Xiaofei.

Fora isso, o cadáver não apresentava outros ferimentos e, sobretudo, não mostrava sinais de mutação.

Bai Xiaofei soltou um longo suspiro de alívio. Tanto os rumores quanto os comunicados oficiais pareciam dizer a verdade ao menos nesse ponto: a mutação não ocorria em cadeia. Caso contrário, aquele homem já teria se tornado mais uma “irmã cadáver” e ainda por cima, sem a parte de baixo.

Ele abandonou o corpo e começou a vasculhar o apartamento com atenção.

Como suspeitava, a vizinha mantinha um verdadeiro estoque de lanches em casa: batatas fritas sabor original, biscoitos com cebolinha, amendoins, sementes de girassol, crackers integrais, rolinhos amanteigados, ameixas secas, uvas em conserva, pêssegos desidratados…

— Mas o que é isso? Planejava levar o supermercado inteiro para dentro de casa?

O que mais o animou, porém, foi encontrar várias garrafas de água mineral algumas intactas, outras pela metade, largadas pelos cantos.

Ele conferiu cuidadosamente as datas de fabricação. Todas eram anteriores ao surto.

Hoje em dia, nem mesmo água mineral era totalmente confiável. Bai Xiaofei já ouvira dizer que certas fábricas, para cortar custos, simplesmente engarrafavam água da torneira. E se alguém inescrupuloso tivesse enchido as garrafas com água contaminada pelo vírus das “irmãs cadáver”?

Ainda assim, aquelas produzidas antes do surto certamente estavam seguras. Mesmo quando alteravam datas, as empresas costumavam adiá-las para estender artificialmente o prazo de validade nunca antecipá-las.

Depois de muito revirar o apartamento, quase de quatro, Bai Xiaofei finalmente encontrou algo ainda melhor do que sua pequena faca de frutas: um facão de melancia.

— Meu Deus… finalmente um upgrade.

Era como derrotar um monstro e conseguir um novo item. O facão de melancia era praticamente o equipamento padrão de brigas de rua comprimento e poder de corte muito superiores aos de uma simples faca de cozinha.

Carregando uma pilha de comida e água mineral, com o facão preso à cintura, Bai Xiaofei retornou rapidamente ao próprio apartamento e voltou a bloquear a porta. Só então se permitiu devorar um pacote de biscoitos. A água mineral levemente vencida, mas refrescante, desceu por sua garganta, revigorando-o.

Durante todo o dia, ele não saiu.

Entre comer, beber e descansar, passou horas pesquisando informações na internet e traçando uma rota num mapa turístico amassado da cidade de H.

Do prédio onde morava até a casa de Xiaowei, do outro lado da cidade a linha atravessava quase metade da área oficialmente declarada como zona de infecção.

Ele não escolheu o caminho mais curto. Pelo contrário, desenhou uma rota sinuosa, evitando grandes conjuntos residenciais, prédios comerciais, linhas de ônibus e estações de metrô. Preferiu ruas secundárias, becos pouco movimentados, qualquer lugar onde houvesse menor concentração de pessoas e, consequentemente, menor chance de encontrar “irmãs cadáver”.

Ele já havia matado uma delas, é verdade. Mas sabia que aquilo fora, em grande parte, sorte. Contra outras, mesmo com o novo facão, suas chances eram mínimas.

Estava indo salvar Xiaowei não cometer suicídio.

As atualizações online surgiam sem parar, e sua rota mudava constantemente. Somente por volta das cinco da tarde ele conseguiu definir um trajeto relativamente seguro.

Outras notícias também lhe deram algum ânimo: o governo enviara diversas unidades de forças especiais de elite para reforçar o exército regular e intensificar o combate às “irmãs cadáver”. Os disparos ouvidos do lado de fora indicavam confrontos violentos em andamento. Além disso, vários pontos de evacuação por helicóptero haviam sido estabelecidos, e inúmeros civis já se concentravam nesses locais, aguardando retirada sob proteção militar.

Para Bai Xiaofei, eram boas notícias. Tanto as forças especiais quanto as multidões em retirada atrairiam grande parte das criaturas, desviando sua atenção o que lhe permitiria agir nas sombras.

Era um pensamento egoísta, talvez até mesquinho. Mas ele não era um herói destinado a salvar o mundo. Era apenas um sujeito comum tentando resgatar a própria namorada.

Às cinco e meia, a noite começou a cair.

Segundo rumores na internet, a visão das “irmãs cadáver” não era das melhores. A escuridão poderia lhe oferecer alguma proteção.

Vestiu um moletom escuro com capuz, colocou luvas e escureceu a lâmina do facão com tinta de caneta, para evitar reflexos sob a luz. Guardou a arma nas costas com extremo cuidado.

Lançou um olhar para a porta bloqueada por cama, escrivaninha e outros móveis, e balançou a cabeça.

Descer pelas escadas estava fora de questão.

Morava no quinto andar; cada andar tinha doze apartamentos ao longo do corredor. Quem sabia quantas “irmãs cadáver” poderiam estar escondidas ali dentro? Se uma delas surgisse de repente e o encurralasse na escadaria, seria o fim.

Bai Xiaofei abriu a janela de vidro e saiu para o lado de fora.

À direita havia um cano de escoamento que descia por toda a extensão do prédio. Era daqueles antigos, de ferro fundido não PVC moderno, resistente e firme. Certa vez, ele se trancara para fora do próprio apartamento; o proprietário demorara a aparecer para abrir a porta. Irritado, Bai Xiaofei escalara o cano até a altura da janela e entrara de volta por ali.

Agora, faria o mesmo mas, desta vez, não era apenas uma questão de conveniência.

Era sobrevivência.


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