Capítulo 08: A Criança Solitária
Bai Xiaofei repetiu o truque que já tinha usado antes. Escorregou pelo cano de drenagem, descendo devagar. Ao passar por algumas janelas, ouviu sons estranhos vindo dos quartos e até vislumbrou silhuetas se movendo na escuridão. Mas fingiu que não viu nada. Trocando as mãos e os pés, chegou ao primeiro andar, saltou leve e caiu em segurança no chão.
Bai Xiaofei olhou para os lados. Exceto pelos tiros que ecoavam ao longe, de vez em quando, o silêncio ao redor era assustador. Rangeu os dentes, escolheu uma das trilhas que havia marcado no mapa e se enfiou nela.
H City, antiga "Terra dos Dez Mil Campos de Trigo", hoje uma metrópole internacional moderna. O glamour e a decadência coexistem harmoniosamente. À sombra dos arranha-céus mais altos do mundo, ainda existem casas antigas de cem anos algumas delas ainda usando penicos. Claro, para certos saudosistas, isso se chama "atmosfera de cidade".
Bai Xiaofei agora atravessava becos e vielas de um bairro antigo. As passagens eram extremamente estreitas; se duas pessoas se encontrassem, teriam que passar de lado. Mas a vantagem era óbvia: não havia onde se esconder. De uma ponta do beco, dava para ver a outra.
Antes de entrar em cada viela, Bai Xiaofei se abaixava na entrada, espreitava, confirmava que não havia vestígios de Irmãos Cadáver e só então corria o mais rápido possível.
Até agora, a rota que ele havia pré-estabelecido se mostrava muito segura. Mesmo que de vez em quando viessem gritos e uivos estranhos por trás das altas paredes de fogo dos dois lados dos becos, isso não o afetava.
Toc, toc, toc... Os passos solitários de Bai Xiaofei ecoavam pela viela. Ele já estava ofegante. O trabalho de designer gráfico um típico trabalho de "otaku de escritório" havia reduzido sua resistência física a níveis deploráveis. Depois de toda essa correria, seu fôlego já não aguentava mais. O pior é que, para evitar os Irmãos Cadáver, ele ficou dando voltas e voltas. Correu por um bom tempo, mas, na verdade, a distância em linha reta até o apartamento dele não era grande.
À frente, a visão se abriu. Ele saiu da boca do beco.
Do lado de fora, havia um parque gramado. Tapetes verdes de grama aparada, árvores frondosas e vários equipamentos de ginástica.
Bai Xiaofei estava prestes a atravessar o parque correndo quando, de repente, se escondeu atrás do tronco de uma árvore grande.
Na grama... havia um som!
Cric, cric, cric... O rangido áspero das dobradiças de ferro. Naquela noite escura, o som era tão penetrante... assustador!
Bai Xiaofei lentamente espiou por trás do tronco.
No parque, em uma gangorra, uma criança de cerca de cinco ou seis anos estava sentada em um dos lados, brincando sozinha. Suas perninhas curtas empurravam o chão uma vez após a outra, fazendo a gangorra pular. O lado vazio subia e descia. Ele estava se divertindo. Na mão esquerda, segurava algo que levava à boca de vez em quando, mastigando.
O rangido agudo das dobradiças era o som da gangorra.
Bai Xiaofei suspirou aliviado mas imediatamente ficou em alerta. Que droga, de onde saiu essa criança problemática? Como é que, numa hora tão perigosa como esta, ela veio brincar aqui fora? Cadê os adultos dessa casa? Ele sempre odiou pais que dão à luz mas não criam. Porra, vocês são uns porcos? Têm um filho e jogam lá num canto, sem responsabilidade nenhuma?
Enquanto xingava os pais na sua cabeça, hesitava. Será que vou embora direto? Ou salvo essa pobre criança? Uma criança tão pequena, que ainda não entende nada do mundo... num parque desses, ela é presa fácil para os Irmãos Cadáver. Mas se eu levar ela comigo, como vou salvar a Xiaowei?
Bai Xiaofei rangeu os dentes. Não dá para ignorar alguém prestes a morrer. Deixa pra lá. Pelo que me lembro, há um ponto de evacuação perto daqui. Levo a criança até lá, entrego para os militares, e ainda volto a tempo.
Ele saiu de trás da árvore e começou a andar em direção à criança. Foi quando a criança, de repente, escorregou e caiu da gangorra com um ploft.
Bai Xiaofei, com medo de que ela tivesse se machucado, ia correndo se aproximar quando seus olhos de repente se fixaram. Ele enxergou o que a criança segurava na mão esquerda, aquilo que ela levava à boca de vez em quando para mastigar...
Era metade de um braço! Metade de um braço e pelo jeito, arrancado na altura do cotovelo da própria criança!
Zumbi!
Aquela criança que brincava sozinha na gangorra do parque no fim da tarde... era um Zumbi!
Bai Xiaofei se encolheu novamente atrás da árvore. Aproveitando a vegetação densa ao redor, observou o pequeno Zumbi às escondidas.
Pela aparência externa, a deformação da criança se limitava à boca. A boca ocupava quase metade da cabeça. Os dentes também haviam se transformado, afiados como serra. Mas, diferente daquele Zumbi (a vizinha) que Bai Xiaofei havia matado, este não tinha desenvolvido espinhos ósseos nem língua comprida.
Depois de cair da gangorra, a criança não chorou nem fez birra. Apenas se concentrou em mastigar o próprio meio braço. Quando a diversão chegou ao ápice, simplesmente abriu aquela boca enorme, do tamanho de uma bacia pequena, e engoliu o meio braço de uma só vez.
Sem mastigar direito!
Bai Xiaofei sentiu um arrepio profundo. Se essa mordida pegar em mim, vou virar o Grande Mestre Yang Guo¹, porra! Realmente, nenhum Zumbi pode ser subestimado. Até uma criancinha de cinco ou seis anos, depois de virar mutante, tem um poder de fogo desses.
Depois de engolir o próprio meio braço, o pequeno Zumbi de repente fez algo estranho. Abriu as calças, mostrando a bundinha branca, e se agachou ali mesmo...
Esse... esse diabrete... está fazendo cocô!
Bai Xiaofrei soltou uma risada de exasperação. Qualidade moral! O problema da qualidade moral do povo de Yanhuang realmente é um grande desafio internacional. Fazer necessidades em qualquer lugar é famoso no mundo inteiro... até mesmo com os zumbis não é diferente.
No entanto, a cena seguinte foi aterrorizante.
O meio braço que o pequeno zumbi havia engolido menos de meio minuto atrás começou a sair do seu traseiro pouco a pouco conforme ele fazia cocô. Primeiro saíram as falanges, cuja carne já havia sido digerida, restando apenas o osso. Depois o punho. Em seguida, o antebraço...
Ah, vá para o inferno. Em tão pouco tempo, o meio braço já havia sido digerido no estômago do pequeno, restando apenas os ossos. O suco gástrico dele é ácido sulfúrico concentrado, por acaso?
O pequeno zumbi ficou ali, com a bundinha erguida, fazendo força por um tempo, mas aí travou. Ele começou a emitir sons: "Fo... me... fo... me..." Os ossos do meio braço estavam entalados no seu ânus, não saíam por nada.
Bai Xiaofei franziu a testa. De repente, saiu de trás da árvore com passos largos, sacou a faca e começou a andar na direção do pequeno Cadáver.
Mais cedo ou mais tarde, ele teria que lutar contra todo tipo de zumbi. No entanto, até agora, não sabia onde ficava o ponto vital deles. Melhor usar essa criancinha para ganhar experiência e, de quebra, estrear a faca.
O pequeno zumbi também percebeu que Bai Xiaofei era comida que tinha vindo se entregar. Abriu sua bocona, rugindo "Fo... me...", levantou-se do chão mostrando seu pinto e começou a correr na direção de Bai Xiaofei...
Pluft!
O pequeno zumbi caiu de boca no chão. A calça ainda estava abaixada nos joelhos. Ao dar aquela passada de repente, perdeu completamente o equilíbrio e caiu com toda a força.
Bem, isso não é nada. Qualquer criança no jardim de infância cometeria um erro parecido. Comparado a elas, nosso pequeno Zumbi já foi muito corajoso: não começou a chorar, gritar e rolar no chão pedindo para a professora do jardim de infância pegá-lo no colo. Ele simplesmente se levantou e partiu para cima de Bai Xiaofei novamente!