Capítulo 03
“Guh… guh…”
“N… nn…”
(E-este lugar… onde estou? Não consigo ver a luz do dia nem o brilho da energia mágica… essa claridade fraca… seria a luz da grama luminescente?)
Meus sentidos retornaram bruscamente.
Minhas mãos e pés estavam presos a algo. Quando consegui abrir as pálpebras com esforço, vi a parede rochosa de uma caverna. Nada além disso exceto as vozes de várias criaturas demi-humanas ecoando ao fundo.
(Ah… é verdade. Os veteranos aventureiros experientes da vila de Mairaru e eu estávamos investigando a região do Rio Oeste quando fomos atacados. Não me lembro de nada depois de perder a consciência… Então isto é… um ninho?)
Ao perceberem que eu despertava, os sons se aproximaram.
“Guhhhh…”
Se fosse uma mulher, não seria da espécie goblin.
Goblins criaturas que sequestram fêmeas de outras raças por não terem alternativa tratam mulheres como meros “ventres ambulantes” para expandir sua população. Costumam capturar humanas e feras, engravidá-las e, assim, multiplicar-se.
A gestação de um goblin leva apenas um mês. Em mais um mês, a criança já atinge a idade adulta.
Seu ritmo de crescimento é rápido e aterrorizante.
Com essa taxa de reprodução, basta estabelecer um ninho e manter uma fêmea cativa para que se multipliquem em velocidade absurda, espalhando danos pelas regiões vizinhas. Por isso, quando um grupo errante é identificado em busca de novo território, deve ser eliminado imediatamente.
A Guilda de Aventureiros emite inúmeros pedidos desse tipo.
Para confirmar se não restaram sobreviventes ou se um novo ninho não está se formando após uma caçada, investigadores são enviados.
Desta vez, encontraram indícios numa região onde jamais houvera goblins. Eu, aprendiz de investigadora, fui designada para o levantamento após a captura de um goblin isolado acompanhada por dois investigadores veteranos.
A floresta às margens do rio, a oeste de Mairaru, era maior do que esperávamos. Dividimo-nos em dois grupos.
Enquanto observava o fluxo da água… fomos atacados por trás.
E então… apaguei.
(Não há dúvida. Fui levada ao covil deles. E quanto ao propósito…)
Senti passos atrás de mim.
Deitada no chão, virei a cabeça lentamente.
“KYAAAAAAAAA!!!”
O grito escapou antes que eu pudesse contê-lo.
O rosto de um goblin estava a centímetros do meu. Olhos finos e vermelhos, como os de um peixe morto. Ele abriu a boca num sorriso grotesco, exibindo presas semelhantes às de um animal selvagem.
Saliva escorreu e caiu sobre mim.
Tentei golpeá-lo com as mãos mas estavam amarradas.
“Guhhhhhh!”
O goblin ergueu o porrete, emitindo um som gutural ameaçador.
“Kuh…!”
Instintivamente virei o rosto e fechei os olhos.
O porrete desceu.
Pelo ângulo, eu sabia: se atingisse minha cabeça, seria morte instantânea.
Mas o impacto ocorreu logo atrás de mim.
O porrete atingiu o chão, ricocheteando contra a parte posterior da minha cabeça antes de esmagá-la contra o solo com um som seco. A vibração reverberou pelo meu crânio.
“Gyahaaaa!”
(Errou! Não… errou de propósito…)
O porrete caiu novamente desta vez à frente do meu rosto.
Terra, poeira e fragmentos de pedra espalharam-se sobre mim.
Não consegui abrir os olhos.
Três vezes.
Três golpes brutais no chão diante de mim.
As vibrações ecoavam na minha cabeça.
Goblins são sádicos. Sentem prazer em torturar os fracos, transformando-os em brinquedos.
Sua própria existência é malévola. São criaturas incapazes de coexistir com outras raças seres que existem apenas para causar dano.
Um sub-raça: goblins.
(Vou morrer assim… como escrava sexual… ou brinquedo deles…)
O goblin continuava golpeando o chão repetidamente.
Eu tremia a cada vibração.
E não era só ele. Havia muitos outros ao redor, soltando risadas grotescas.
O som de mastigação carne sendo devorada.
Risos.
Golpes.
De repente…
Silêncio.
“Eh?”
As vibrações cessaram.
Algo desabou.
Uma vez.
Duas.
Abri os olhos.
Três goblins estavam caídos ao fundo.
Mortos.
(O que… está acontecendo?)
Atrás dos cadáveres, cerca de dez goblins formavam um círculo.
No centro, alguns seguravam bastões e cajados. Um deles usava algo semelhante a um cinto adornando o manto.
(Há tantos aqui?! E aquele… é um goblin mago? Não é um grupo de desgarrados… é um ninho organizado!)
Os goblins pareceram entrar em pânico, mas o goblin mago claramente o líder apontou seu cajado para a saída da caverna e gritou uma ordem.
Alguns correram.
Da entrada, um clarão vermelho.
Uma explosão.
Depois outra.
E mais outra.
A cada clarão, um goblin tombava, a cabeça tingida pelo mesmo vermelho brilhante.
(Isso… é magia? Mas nunca vi um feitiço tão preciso! Nem mesmo os veteranos conseguem algo assim. A menos que… alguém esteja usando uma espada… Oh!)
Os goblins caíam tentando proteger o mago, que recitava algo freneticamente.
Então vi.
Uma massa de ar se comprimiu diante dele.
Disparou para frente, atravessando os próprios goblins e avançando na direção da saída.
(Magia de vento… Air Ball! Como um goblin consegue lançar algo tão grande?!)
A esfera tinha quase cinquenta centímetros de diâmetro.
Para criaturas de pouco mais de um metro e vinte, aquilo era colossal.
A parede do túnel explodiu com um estrondo ensurdecedor.
O goblin mago soltou uma gargalhada estranha.
Ordenou que os sobreviventes avançassem.
No instante seguinte...
Um clarão vermelho.
A cabeça do goblin mago explodiu.
(I-incrível… dizem que um goblin mago não é fisicamente forte… mas sua barreira mágica não é fraca… atravessá-la num único golpe…)
Silêncio.
Os olhos mortos do goblin mago fitavam o nada.
Os clarões cessaram.
As explosões também.
Da escuridão do corredor surgiu uma silhueta.
Passo a passo.
Aproximando-se de mim.
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